Eu sei que sempre vai ser diferente. Crê-se na multiplicidade das pessoas, esquece-se da dos sentimentos. Assim, as possibilidades aumentariam. Nada do que idealizaríamos estaria ao alcance do possível, e tudo sumiria do futuro.
Comparo sentimentos. Me entendo melhor assim, mesmo que pouco. Certa vez me peguei comparando um sentimento meu por uma pessoa, com o que eu sinto pela lua.
Gosto muito da lua. Primeiro porque a ela é inteligente: saber usar sutilmente a luz do sol para si, sem roubá-la dele. Segundo: ela nunca é a mesma, muda de faces. Visto meu enjoo rápido e exagerado por tudo, isso ajuda muito. Terceiro: ela exala mistério e brilho. E, como se tudo isso não bastasse, ela é estupidamente linda. Então, lembrei de uma pessoa.
Eu a vejo e a admiro quando ela está ali, estampada no céu. Eu a amo, e confesso-a. Conto meus segredos íntimos, procuro-nos em canções, ignoro as estrelas, o céu e todo o resto do elenco que faz parte do seu espetáculo. Porém, só quando ela está ali. Quando ela vai embora leva tudo consigo, inclusive as lembranças.
Eu não sei dizer o nome disso, eu não sei se isso tem um nome. Só sei que é exatamente o que sinto por alguém. Alguém que me faz muito bem enquanto está aqui comigo, e que como o luar, quando vai embora, não se torna nem lembrança. Alguém que talvez não sinta o mesmo por mim, até porque raramente os sentimentos de ambos são iguais.
Talvez eu deveria mudar isso. Vontade até tenho, mas não, não quero. Deixe estar. Egoísmo? Pode ser. Vai que um dia, inusitadamente, eu lembre da lua mesmo com o raiar do dia?
Vai que isso se repita no dia seguinte, e seguinte, e seguinte...?
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