"Odeio ser feita de carne. Odeio sentir necessidade de carne. Carne, nas suas variadas formas... Carne de comer, carne de beijar, carne de sentir e cheirar e saciar, devorar, consumir, satisfazer. (...) Preciso mais do que isso. Outro patamar. Coisa do futuro, ou do presente-evolução. Amar por amar, sem desejos, sem ter que saciar. Não querer nada em troca, acabar com esse infinito esperar, de uma realização que é mais amor próprio que amor por amor (...)"
Monique Messias
domingo, 24 de outubro de 2010
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
LUZ SOMBRIA
“A sombra do futuro, a sobra do passado: assombram a paisagem.”
Enxerguei a luz bem no fim - vestígios dela, ao menos. Então busquei sua plenitude, busquei a fonte completa, sedenta, ambiciosa, como sou. Encontrei-a.
Era ela que era forte, ou minha escuridão que fora exagerada? Tanto fazia, meus olhos doíam igualmente. Depois de me acostumar com a escuridão, imaginei que eles demorariam a se ambientar com a luz. Demorariam a acreditar na luz. Cegariam na luz.
E esse é meu medo: preciso de minha visão.
A luz é boa, mas nela, sim, eu posso me perder. Mas ela, sim, pode me confundir. Ela, por ser novidade, sim, pode dar errado.
Desconfio que nasci para a sombra. Funerais e aniversários... tem todo esse lado também.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
VACINADA, NADA!
Depois de muitas introduções do vírus em mim, achei que meu sistema imunológico estivesse forte. Como vacina, desencadeando a produção de anticorpos que acabariam por tornar o organismo imune ou, ao menos mais resistente, a esse tipo de vírus.
A gente vive achando que sabe tudo; a gente vive pensando que se conhece bem; a gente vive pensando que tudo está sobre controle; a gente vive acreditando, e conseqüentemente, vive quebrando a cara. É.
Eu não estava vacinada. Não, não contra esse vírus. Esse foi diferente de todos: era novo, não teve corpo, nunca aparecera antes, surgiu do nada... e ficou, ficou por um bom tempo, infectou, viciou, definiu. E quando outra doença me adoeceu, partiu. Mesmo assim transformou-me, novamente, em um ser mais flexível e ao mesmo tempo, menos vulnerável, mesmo que isso não esteja visível nesse exato momento, eu sinto que ele aumentou minhas barreiras. Eu só não sei como ele saiu de mim, e eu, a não-vacinada, não saí dele.
No final, foi só mais um vírus. Não se anunciou na chegada, nem na saída, mesmo assim eu pude sentir as duas coisas.
Sentir, você sabe o que é isso? Nada. Esqueça. Eu não quero ouvir tudo outra vez.
A gente vive achando que sabe tudo; a gente vive pensando que se conhece bem; a gente vive pensando que tudo está sobre controle; a gente vive acreditando, e conseqüentemente, vive quebrando a cara. É.
Eu não estava vacinada. Não, não contra esse vírus. Esse foi diferente de todos: era novo, não teve corpo, nunca aparecera antes, surgiu do nada... e ficou, ficou por um bom tempo, infectou, viciou, definiu. E quando outra doença me adoeceu, partiu. Mesmo assim transformou-me, novamente, em um ser mais flexível e ao mesmo tempo, menos vulnerável, mesmo que isso não esteja visível nesse exato momento, eu sinto que ele aumentou minhas barreiras. Eu só não sei como ele saiu de mim, e eu, a não-vacinada, não saí dele.
No final, foi só mais um vírus. Não se anunciou na chegada, nem na saída, mesmo assim eu pude sentir as duas coisas.
Sentir, você sabe o que é isso? Nada. Esqueça. Eu não quero ouvir tudo outra vez.
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